sexta-feira, 8 de junho de 2012

Descobri ontem mais do que nunca que tenho certo apreço pela palavra privacidade. Gosto do som e do sentido. Muitas pessoas confundem intimidade com privacidade. Intimidade diz respeito à minha relação com os outros, privacidade diz respeito apenas a mim. Eu digo “nossa intimidade” e digo “minha privacidade”. Intimidade é algo que eu partilho, privacidade é alguma coisa que eu protejo. Será que alguém não entende a diferença dessas duas palavrinhas?
Então eu pergunto por que as pessoas se acham no direito de invadir a minha privacidade em nome da intimidade que um dia compartilhamos?
Acho que as pessoas invadem por que se sentem de alguma forma donas dos outros. Cem anos atrás, cinquenta anos atrás, os costumes talvez autorizassem essa sensação. Hoje ela não faz sentido. Cada um de nós é dono do próprio nariz e tem direito (na verdade, tem necessidade) de preservar espaços próprios.
Enfim, como diz uma amiga minha, muito prática: eu quero ser preservada, no sentido preservativo da palavra.

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